sábado, 14 de fevereiro de 2015

"Filhos de um deus menor"





Colagem de fragmentos de História que fui recortando ao longo de vários anos. 
As fotos não são da minha autoria, fiz a montagem e voltei a fotografar, apenas isso. Lamento que se note dobragem, pois havia fotografias grandes e para arquivar foi necessário dobrar. 
PN

Estamos neste ano pela graça de Deus.
Não pela graça do homem
um homem cada vez mais mortífero, 
hostil, carrasco,
um homem mesquinho,
ressabiado, ambicioso,
orgulhoso, dominador,
vaidoso, perverso,
vingativo, austero,
mau, perigoso….
obsessivo, maníaco, patológico …
Um homem comandado pelas forças do Mal
que subjuga outro homem;
frágil, confuso,
deprimido, enfermo,
cansado, humilde,
pobre, desempregado,
sem recursos…dependente,
sem meios de subsistência….
condenado à má sorte e à morte…
Já,
as cobras venenosas e anti humanas
erguem-se cancerosas,
cujas mãos e corpos algozes assassinam os próprios irmãos;
são levadas a cabo várias acções terroristas simultâneas;
suicidas fazem-se explodir
nos vários continentes,
carros bomba matam milhares e milhares de homens,
mulheres e crianças no mundo inteiro…
comboios atolados de gente detonam
nas mais importantes capitais europeias…
minas instaladas em Paris, Argel,
Índia, Tóquio,
Peru, Colômbia.
O contágio é universal.
É o ódio
perpetrado pelas várias organizações existentes.
As catástrofes naturais
abatem e submergem a terra
e consequentemente propaga-se a fome,
o desemprego,
os crimes,
os assaltos,
as pilhagens…
o caos e a anarquia tornam o mundo inabitável…
vários sismos de dimensões incalculáveis engolem definitivamente o planeta.
Durante muitos anos as florestas,
as montanhas e as árvores definham amordaçadas
…o espírito da água vagueia sujo,
debilitado, doente e apocalíptico…
a bruma invade o solo num suspiro brando,
num eco de colossal desgosto.
O silêncio permanece borbulhante e presente…
uma apatia incomensurável
habita aquela que foi durante séculos
a casa comum da Humanidade …
até a própria morte sente-se intimidada perante cenário tão cru.
E do fundo do tempo,
muito lentamente,
desponta
um rebento acanhado, ele próprio,
sozinho se auto revigora,
alguns ecossistemas
terráqueos e marítimos
vão acordando da letargia mortal
em que haviam mergulhado...
vagarosamente formam-se tufos desbotados,
trémulos de vegetação rala …
não se sabe ao certo
quanto tempo demoraram
a se multiplicar
e formarem uma ramagem mais densa,
mais forte,
mais robusta,
mais viçosa…
a forma humana surge algures,
desconhece-se ao certo onde e como.
São seres peludos, desgrenhados, famélicos,
com pele sombria e encardida
e crianças de braçado,
iniciam uma luta pela subsistência.
Após o Apocalipse final,
algumas sementes de boa índole
germinam e naquele canto do mundo…
quase desterrado,
uma espécie de arca de Noé
vai resistindo às intempéries,
à luta pela sobrevivência, à ruína….
Esta casta pobre aduba a terra,
produz para perdurar no tempo,
alimenta-se novamente do que ela lhe oferece …
os frutos, as raízes, as folhas,
as plantas, os insectos, os animais.
Fala por gestos e sons.
Reaprende a observar a natureza
e a colher o jorro de abundância que dela emana,
a temer o abismo e o desconhecido
e a chamar de novo por Deus.
PN